Fiquei indignada ao ler na internet que o presidente do STF, Carlos Ayres Britto - que até então defendia o voto facultativo - mudou de opinião ao participar de um debate na TV Brasil. Segundo ele, o voto obrigatório é necessário no Brasil em função da nossa cultura: somos um país de muitos analfabetos ou de pessoas com baixo grau de escolaridade, o que “reforça a necessidade do voto obrigatório”.
Acredito que, mais importante do que pensar no ato do voto como um “rito” ou como uma “festa democrática” [expressão essa que me causa arrepios] acho muito mais pertinente observarmos que o voto deve ser um ato praticado por aqueles que estão determinados a apoiar um candidato e a intervir positivamente nas decisões coletivas que nos foram devolvidas há quase vinte anos. E essa atitude independe de um alto ou baixo nível de escolaridade do indivíduo. Depende muito mais de uma força própria, de uma iniciativa muito particular do que de qualquer canudo que o sujeito carregue no bolso.
Ou seja, a máxima que diz que aquele que não gosta de política será governado por aquele que gosta deve prevalecer, principalmente em uma nação de voto facultativo. Assim, quem sabe, incutimos em nosso povo a responsabilidade REAL de ver um mau sujeito governando e saber que, ao não votar, também foi culpado pela eleição de um déspota.
Ao ler as notícias onde o presidente do STF colocava-se a favor do voto facultativo, realmente acreditei que as coisas poderiam mudar.
Vinte anos de democracia. Ainda não aprendemos nada sobre isso.






