“Festa Democrática”

Outubro 6, 2008 by Endora

Fiquei indignada ao ler na internet que o presidente do STF, Carlos Ayres Britto - que até então defendia o voto facultativo - mudou de opinião ao participar de um debate na TV Brasil. Segundo ele, o voto obrigatório é necessário no Brasil em função da nossa cultura: somos um país de muitos analfabetos ou de pessoas com baixo grau de escolaridade, o que “reforça a necessidade do voto obrigatório”.

Acredito que, mais importante do que pensar no ato do voto como um “rito” ou como uma “festa democrática” [expressão essa que me causa arrepios] acho muito mais pertinente observarmos que o voto deve ser um ato praticado por aqueles que estão determinados a apoiar um candidato e a intervir positivamente nas decisões coletivas que nos foram devolvidas há quase vinte anos. E essa atitude independe de um alto ou baixo nível de escolaridade do indivíduo. Depende muito mais de uma força própria, de uma iniciativa muito particular do que de qualquer canudo que o sujeito carregue no bolso.

Ou seja, a máxima que diz que aquele que não gosta de política será governado por aquele que gosta deve prevalecer, principalmente em uma nação de voto facultativo. Assim, quem sabe, incutimos em nosso povo a responsabilidade REAL de ver um mau sujeito governando e saber que, ao não votar, também foi culpado pela eleição de um déspota.

Ao ler as notícias onde o presidente do STF colocava-se a favor do voto facultativo, realmente acreditei que as coisas poderiam mudar.

Vinte anos de democracia. Ainda não aprendemos nada sobre isso.

VMB

Outubro 3, 2008 by Endora

Sério: Bloc Party dublando no VMB? Bloc PARE, pelamor!

E Bonde do Rolê sem a Marina não é nada.

Cara de Um…

Setembro 30, 2008 by Endora

Aqui ó que o Machado não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria! Ele é pai do Tchekhov!

O Ápice da Anti Democracia

Setembro 30, 2008 by Endora

Mais uma vez a Rede Globo dá ao público prova de sua posição pernóstica ao decidir não realizar debates eleitorais com os candidatos a prefeito da cidade do Rio de Janeiro e de São Paulo porque os considerados “nanicos” [Ivan Valente (PSOL), Ciro Moura (PTC) e Renato Reichmann (PMN) - no caso de SP] recusaram-se a abrir mão de participar do evento.  A proposta da emissora era a de realizar o debate somente com os cinco melhores colocados nas pesquisas - o que, a meu ver, é um grande tiro no pé: uma emissora de TV que [teoricamente] tem compromisso com a população e com a liberdade de expressão não pode abster-se de oferecer ao eleitor a possibilidade de ver e ouvir todos os candidatos, seja ele o líder nas pesquisas ou o cara que “dá traço”.

Mas tratando-se de Rede Globo, nada disso é novidade. É uma emissora anti-democrática por natureza. Uma vergonha para o Brasil.

29 de Setembro de 1908

Setembro 29, 2008 by Endora

Aos biltres que recusam Machado,
choro por vocês uma lágrima
neste centenário.

Discussões Sobre o Pleito

Setembro 25, 2008 by Endora

É curioso perceber que, com a aproximação do pleito municipal, meu post sobre a Free Way do Maluf tem recebido chuvaradas de comentários. E o que é melhor: bons comentários. Salvo um ou outro que insiste em apoiar essa herética idéia, a maior parte que comenta corrobora de algo que eu acho fundamental: uma cidade pensada para gente e não para carros.

Ainda assim, creio que esse grupo é uma minoria. Explico: durante meu almoço de ontem esse assunto surgiu na mesa, o que eu achei ótimo. Melhor do que quatro mulheres discutindo sobre bolsa e maquiagem, falar sobre políticas públicas e discutir soluções para a Grande São Paulo foi uma boa pedida. Mas o que me impressionou nesse papo foi perceber que três garotas com menos de trinta anos [entende-se que os jovens tenham uma visão um pouco menos reaça que os mais velhos] estavam totalmente de acordo com essa questão da cidade-carro. Frases como “eu pago meus impostos por isso vou andar de carro mesmo” foram as mais recorrentes nessa conversa.

Particularmente, não sou contra o uso do carro, principalmente quando você trabalha e mora longe. Por exemplo: moro no ABC e uma vez por semana tenho orientação na USP. São trinta quilômetros de distância. É lógico que eu vou de carro! Sem contar que no ABC não tem metrô. Ainda assim, sou muito mais a favor do transporte público bacana, de qualidade, com o tal assento preferencial para o leitor, pensando em um mundo perfeito… Mas em São Paulo [e no ABC] é comum você perceber que quem anda de carro é quem mora relativamente perto do trabalho [e aqui, considero "perto" até 20 km e dentro da MESMA cidade]. É o cara que mora na Aclimação e trabalha na Rebouças. Porque quem mora longe é quem tem um poder aquisitivo menor, é o cara de Guaianazes, o cara de São Mateus e essas pessoas, justamente as que moram mais longe do trabalho [e que, teoricamente deveriam usar o carro] é que “usufruem” do transporte público.

Evidente que essa visão, assim como outras, sai do lugar-comum e demanda um pouco mais de análise e é lógico que ninguém vai ficar pensando nisso como forma de passar o tempo. Na mesa do bar ou na mesa do almoço, a classe média, respaldada pelo seu mantra sagrado do “eu-pago-meus-impostos”, vai falar do Alckmin ou do Maluf e defender uma política reacionária e feita para aqueles que podem comprar bife todo dia.

Assim, pretendo terminar esse post com uma idéia que, quem sabe, possa dar certo. Vamos fazer a Free Way, mas não como uma pista para carros e sim, como um grande boulevard para bicicletas, pessoas e, se possível, que o rio que passará por baixo dela seja despoluído definitivamente.

Será que os motoristas aprovariam ver um montão de gente feliz andando de mãos dadas ou de bicicletas enquanto eles estão encarcerados dentro de um automóvel em plena Marginal Pinheiros às seis da tarde?

Janela da Alma

Setembro 17, 2008 by Endora

Passou hoje, no Canal Brasil.

Hermeto Pascoal dizendo que a gente vê pelo meio da testa e que ouve pela nuca. Aí ele dá um exemplo dizendo: “Você já viu alguém ouvindo algo e que, ao se emocionar, olha para trás ou para cima a procura do som? Não. A pessoa faz assim”. E abaixa a cabeça.

Sim. Ouvimos pela nuca. Não vemos pelos olhos.

Win Wenders e os óculos que delimitam o olhar.

Saramago e a Caverna de Platão. Nossos tempos, a verdadeira Caverna de Platão.

E meu pai, que é quase cego [e que assitiu ao documentário também] me dizendo melhor do que ninguém sobre como é ver com o coração e com a mente; ele, que nunca viu a mim, ao meu irmão nem à minha mãe com uma visão perfeita, disse saber nos olhar, verdadeiramente, com os olhos reais, os olhos verdadeiros, os olhos que ninguém que possua a visão perfeita consegue ter.

Rola um Ranço

Setembro 14, 2008 by Endora

Não gaste seu dinheiro indo assistir ao Ensaio Sobre a Cegueira no cinema.

Com os oito reais da entrada sugiro comprar o livro em versão bolso em algum daqueles sebos ali do centro. Investimento bem melhor.

Coisas da Pós-modernidade

Setembro 11, 2008 by Endora

Feliz 11 de setembro: o dia do imperaliasmo roto.

Ceremony

Setembro 8, 2008 by Endora

Estou emocionada… de verdade!